
No lado europeu, a Comissão e o Parlamento da UE precisam formalizar o aval político. Além disso, em função da natureza “mista” do acordo (com temas comerciais e regulatórios), diversos parlamentos nacionais podem ser chamados a ratificar partes do tratado, o que abre espaço para pressões domésticas, sobretudo de setores agrícolas e ambientalistas.
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai também terão de ratificar internamente o texto. Governos da região veem o acordo como estratégico para ampliar exportações agroindustriais e obter previsibilidade tarifária, mas enfrentam resistências de segmentos industriais e sindicatos, preocupados com competitividade.
Diplomatas dizem que, no cenário mais otimista, a tramitação poderia ser concluída ao longo de 2026. No entanto, eleições na Europa e na América do Sul podem reabrir disputas políticas e retardar o cronograma. França e Irlanda seguem como focos de oposição agrícola, enquanto ONGs europeias mantêm críticas ambientais vinculadas à Amazônia e ao cerrado.
Caso entre em vigor, o tratado prevê redução gradual de tarifas, abertura de mercados de bens e serviços, salvaguardas ambientais e mecanismos de solução de controvérsias. Para o Mercosul, o principal ganho inicial seria ampliar acesso ao mercado europeu; para a UE, ampliar oportunidades para bens industriais e serviços.