Numa quinta-feira, 4 de março de 2021, no auge da pandemia de Covid-19, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ) visitou a cidade de São Simão. Durante uma entrevista coletiva, voltou a se posicionar contra medidas de combate a covid-19, como isolamento e vacinação, e lançou uma de suas “pérolas”:
“Nós temos que enfrentar os nossos problemas. Chega de frescura e de mimi. Vão ficar chorando até quando?”, afirmou.
Bolsonaro, que sempre gostou de usar frases fortes, também nunca negou que foi à favor da ditadura. Durante entrevista ao programa Câmara Aberta, no dia 24 de maio de 1999, ele admitiu que se fosse eleito presidente fecharia o Congresso Nacional
“Não há a menor dúvida, daria golpe no mesmo dia. Não funciona! Tenho certeza que pelo menos 90% da população ia fazer festa e bater palma. O Congresso hoje em dia não serve pra nada, xará. Só vota o que o presidente quer. Se ele é a pessoa que decide, que manda, que tripudia em cima do Congresso, então dê logo o golpe, parte logo pra ditadura”.
Mas o Bolsonaro Tigrão, que rosnava contra vítimas da pandemia e da ditadura virou tchutchuca. Deixou se ser o cara com “histórico de atleta” parar ser o frágil, o doentinho, o “do soluço”.
No dia de seu depoimento ao ministro Alexandre de Morais, quando teria a oportunidade de mostrar suas convicções, desafiando o magistrado, recuou.
“Gostaria de convidá-lo para ser o meu vice”.
Bem diferente da fala que o presidente Lula defronte ao ex-juiz Sérgio Moro, na 13ª Vara Federal de Curitiba (PR), quando questionou se Moro era um juiz parcial, e que ele estava condenado a mostrar uma única prova de sua culpa.
“Se eu cometi um crime, prove que eu cometi um crime. Apresente à sociedade e o Lula será punido como qualquer cidadão é punido. Mas, pelo amor de Deus, apresentem uma prova. Chega de diz-que-diz.”
Bolsonaro está preso, condenado a 27 anos por tentativa de golpe de Estado num processo onde abundam provas documentais, vídeos, declarações e mensagens de celular. Ao invés de enfrentar a cadeia com altivez, tudo o que se vê dele é “mimimi”. Se é para pagar a pena de prisão, está doente, mas se for anistiado sara na hora é candidato à presidência da República, conforme relata Valdemar da Costa Neto, presidente do PL.
O Bolsonaro, que em julho de 2016, no programa Pânico, da Rádio Jovem Pan, disse que “o erro da ditadura foi torturar e não matar“, e vivia repetindo que “direitos humanos é esterco da vagabundagem”, agora faz lobby para ficar em prisão domiciliar.
Bolsonaro apela misericórdia pelo episódio da facada. Mas quando Lula, aos 72 anos foi preso, estando ainda se recuperando de um câncer na garganta, foi às redes sociais comemorar, esperando que ele apodrecesse na cadeia.
O ex-deputado federal Julio Lemos (PSL), diz que falta a Bolsonaro a ombridade de cumprir sua pena com a mesma coragem que Lula, José Dirceu e outras vítimas da Lava Jato, que foram para cadeia e depois provaram as suas inocências.
Mas Bolsonaro aposta no mimimi. Quer copiar a tática do ditador chileno Augusto Pinochet, que após ter sido preso em Londres em 16 de outubro de 1998 num mandado internacional emitido pelo juiz espanhol Baltasar Garzón, que o acusava de crimes contra a humanidade, conseguiu ser solto em março de 2000, alegando problemas de saúde.
Pinochet morreu em 2006, sem ter sido julgado pelos seus crimes contra a democracia e o assassinato de 40 mil pessoas durante seu regime ditatorial (1973-1990).
Bolsonaro não fechou o Congresso Nacional e matou 30 mil democratas como queria, mas vai passar à história como o presidente negacionista, que negligenciou a pandemia de covid-17, que levou a mais de 700 mil mortes no país.
Também vai passar à história como pior presidente do Brasil e o primeiro a ser preso por tentativa de golpe de Estado.
