MANAUS – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva soltou o verbo, na quarta-feira 15 de outubro, durante evento no Palácio do Planalto com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Dirigindo a palavra a Motta, ele disse que o parlamentar “sabe que esse Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível que tem agora. Aquela extrema-direita que se elegeu na eleição passada é o que existe de pior”.
Vozes levantaram-se contra a fala de Lula, algumas afirmando que o presidente não poderia ter dito aquilo pelo bem do bom relacionamento e harmonia que devem manter os poderes da República. Mas Lula disse. A fala demonstra coragem diante de um problema que salta aos olhos da sociedade.
Hugo Motta interpretou como uma crítica à extrema-direita e não ao Congresso Nacional. Mas há que se dizer que a qualidade do parlamento brasileiro nunca esteve tão abalada. E não é apenas o Congresso. São as Assembleias Legislativas e as Câmaras Municipais, também.
A extrema-direita é um caso particular. Na história da República a direita e a extrema-direita sempre dominaram os acentos nos parlamentos, criando no imaginário popular uma “tradição” de que o andar de cima, as pessoas com mais posses, ocupam os espaços de poder.
No entanto, os escolhidos para as cadeiras da Câmara dos Deputados e do Senado eram pessoas mais bem preparadas intelectualmente. O que se viu nas eleições de 2022 foi uma enxurrada de políticos despreparados e desprovidos de quaisquer qualificativos exigidos para os cargos no Legislativo.
São pessoas que não respeitam a liturgia do cargo, não respeitam os colegas que deles divergem, não têm postura diante das adversidades, são despreparados para o debate, proferem discursos vazios, profanam a tribuna, desrespeitam convidados, e, por fim, não têm qualquer empatia com a população que dizem representar.
Mas a extrema-direita também abriga em seus quadros uma série de indivíduos desqualificados que passaram a ganhar espaço nos parlamentos estaduais e municipais. Os debates nesses parlamentos são cada vez mais raros, porque não há pessoas preparadas para debater, argumentar, propor soluções para os problemas que se agigantam nas cidades.
Cada parlamentar cuida do seu terreno, com uma gorda mesada bancada com dinheiro do contribuinte. Passam quatro anos planejando e atuando para se reeleger, e esquecem o papel que devem desempenhar em favor da sociedade. Renunciam ao poder que o Legislativo lhes garante em troca de benesses oferecidas pelo Poder Executivo, em forma de emendas parlamentares, que agora são obrigatórias.
Ao fim e ao cabo, os parlamentos brasileiros são o reflexo da própria sociedade, resultado de um relativismo sem precedentes e uma descrença generalizada na política. Os homens e mulheres mais bem preparadas se afastaram, dando lugar aos oportunistas. O eleitor, a quem é delegado o poder de escolher os seus representantes, também abraça o oportunismo e vota conforme os benefícios que lhes é oferecido ou prometido.
O resultado é o que estamos vendo no Congresso Nacional, nas Assembleia Legislativas e nas Câmaras Municipais.
