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Chuvas mais fortes e prolongadas em Manaus estão fora do padrão climático

Publicada em 18/10/25 às 12:17h - 20 visualizações

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Chuvas mais fortes e prolongadas em Manaus estão fora do padrão climático
 (Foto: Rádio Rir Brasil - Itapuranga-Goias : Direção: Ronaldo Castro - 62 9 9 6 0 8-5 6 9 5 )
Por Thiago Gonçalves, do ATUAL

MANAUS – A chuva torrencial que atingiu Manaus na terça-feira (14) não é incomum na capital amazonense, mas a intensidade e frequência desses eventos têm aumentado, segundo meteorologistas consultados pelo ATUAL. O consenso entre os especialistas é que os temporais estão mais fortes, mais prolongados e relacionados a uma combinação de fatores que incluem aquecimento global, expansão urbana desordenada e mudanças nos padrões climáticos da região amazônica.

“Sim, na última década ou mais os temporais têm aumentado na intensidade e de frequência. Tanto que observa-se que as chuvas têm sido mais de temporais”, afirma o meteorologista Francisco Assis Diniz. Segundo ele, esse padrão não se restringe apenas a Manaus, mas tem sido observado em diversas regiões do país.

A meteorologista Juliane Querino, professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e coordenadora do GPiba (Grupo de Pesquisa em Interação Biosfera Atmosfera na Amazônia), confirma essa percepção e cita dados científicos.

“Há indícios de que sua intensidade e frequência têm aumentado nos últimos anos, conforme pesquisas na região. Estudos apontam que os eventos de chuvas extremas, que são aquelas com grande volume em pouco período de tempo, estão se tornando cada vez mais comuns. E apesar das chuvas intensas ser um fenômeno tradicional, registros mostram elas mais intensas e concentradas, o que pode explicar o aumento de alagamentos e impactos urbanos recentes”, explica.

Árvore tombou sobre trecho da Rua 10 de Julho, no Centro (Imagem: WhatsApp/Reprodução)
Árvore tombou sobre trecho da Rua 10 de Julho, no Centro de Manaus, durante chuva torrencial no dia 14 de outubro (Imagem: WhatsApp/Reprodução)

A também meteorologista Andrea Ramos menciona um ‘paradoxo climático’ pelo qual a Amazônia tem passado nos últimos anos. “Estudos sobre mudanças climáticas e o regime de chuvas na Amazônia sugerem que a região tem passado por um paradoxo climático, alternando entre secas severas (como a de 2023) e cheias históricas/chuvas intensas”. Segundo ela, essa alternância rápida entre extremos não é um padrão normal para a região.

O meteorologista e mestre em clima e ambiente Willy Hagi tem o mesmo entendimento. “O que vem acontecendo é que este ano está sendo claramente mais chuvoso em Manaus, ainda mais considerando que passamos por uma seca histórica e prolongada entre 2023-2024. A estação seca deste ano, por exemplo, foi mais chuvosa do que o normal na cidade”.

Calor e chuva

Os especialistas são unânimes ao afirmar que há uma relação direta e intensa entre períodos de calor extremo e a ocorrência de chuvas torrenciais. O fenômeno é conhecido tecnicamente como chuva de convecção e é típico de regiões tropicais como a Amazônia.

“As altas temperaturas aumentam mais a liberação de calor latente de maneira mais rápida com mais intensidade, que favorece o desenvolvimento de nuvens de descargas atmosféricas e trovoadas com maior rapidez devido às altas temperaturas”, explica Francisco Assis, ressaltando que esse mecanismo tem se intensificado e ocorrido em muitas regiões.

Juliane Querino detalha o processo físico por trás desse fenômeno. “Após um período de calor, o Sol aquece a superfície terrestre fazendo com que o ar próximo a ela se torne menos denso e suba. Esse ar quente, ao chegar em altitudes elevadas, resfria, condensa o vapor d’água e forma nuvens de chuva resultando em precipitações mais fortes, especialmente em regiões de clima tropical como em Manaus”.

Bairros foram afetados com interrupção no fornecimento de energia elétrica (Foto: Reprodução/WhatsApp)

A professora da Ufam diz que esse é um momento sazonal específico. “Estávamos em um período seco em que tivemos temperaturas altas e baixa umidade, o que dificulta a formação de nuvens e, consequentemente, chuvas. Agora em outubro (período de transição seco para chuvoso), a umidade começa a apresentar valores mais altos o que contribui para formação de chuvas. Temperatura alta e umidade são gatilhos para formação de tempestades”.

Andrea Ramos complementa a explicação técnica: “Umidade elevada ao longo do dia, associada com o calor, favorece esse padrão com formação de nuvens de tempestades que são nuvens de grande desenvolvimento vertical, chamadas Cumulonimbus. Essas nuvens são as responsáveis pelas chuvas intensas ou mesmo pancadas de chuvas acompanhadas de raios, rajadas de ventos e até possibilidade de queda de granizo, geralmente ocorrendo no fim da tarde ou início da noite, após o pico de aquecimento do dia”.

Willy Hagi contextualiza esse fenômeno dentro do regime climático natural da região. “Na verdade, isso faz parte do regime regular de precipitação na Amazônia. Nós acabamos de passar pela estação seca e estamos em um momento de transição para a estação chuvosa. É perfeitamente normal que pancadas de chuva intensas aconteçam na cidade nessa época do ano”.

Chuvas mais prolongadas

No do dia 14 a chuva intensa durou praticamente o dia todo. Francisco Assis Diniz explica que a situação foi provocada por um sistema meteorológico específico que atuou sobre a região. “A chuva depende muito da liberação de calor latente e do transporte de umidade do Atlântico Norte que se associa com a chegada de uma frente fria no centro do Brasil. Isso que ocorreu tinha a presença no centro do Brasil de uma frente fria com a convergência de umidade assegura mais tempo de condições de chuva entre Manaus e sul de Amazonas”.

O meteorologista do LabClim (Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre) da UEA (Universidade do Estado do Amazonas), Djnair Sales, afirma que este ano apresenta um cenário climático bastante atípico para a região. “Este ano está sendo atípico do ponto de vista climático, as condições normais com tendência de resfriamento no Pacífico reforçam a convecção amazônica, enquanto o Atlântico, menos aquecido ao norte, não deslocou a ZCIT excessivamente para o norte permitindo que mais umidade entre na região e as chuvas persistam sobre Manaus mesmo em meses em que costuma-se esperar menos chuvas”.

Casas no Beco Ayrão são alagadas durante chuvas intensas (Foto: Reprodução)

Juliane Querino menciona que sistemas meteorológicos de grande escala têm contribuído para a persistência dessas chuvas. “Sistemas meteorológicos como a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) têm atuado de forma mais persistente sobre a região, mantendo a atmosfera instável por mais tempo e favorecendo chuvas que se prolongam por várias horas ou até ao longo de todo o dia. A própria expansão urbana de Manaus também contribui para esse cenário, pois o aumento de superfícies impermeáveis e a formação de ilhas de calor intensificam os contrastes térmicos e ajudam a potencializar as precipitações”.

Andrea Ramos acrescenta outros fatores que explicam a duração prolongada das chuvas. “O aumento da umidade em vários níveis da atmosfera pode favorecer a este quadro de instabilidades e com ocorrência dessas chuvas mais prolongadas. Outubro começa o período mais chuvoso da região e isso também pode favorecer. Outro fator é que houve a incursão de uma frente fria e apesar de não ter atingindo Manaus, mas em altos níveis pode canalizar umidade por um período maior sobre a região”.

Alerta e previsibilidade

A emissão de alerta pela Defesa Civil durante o temporal do dia 14 gerou críticas da população nas redes sociais. As chuvas começaram ainda pela manhã, mas o “alerta severo” foi emitido apenas durante à tarde quando a cidade já enfrentava alagamentos. Os especialistas explicam que, tecnicamente, é possível prever chuvas com antecedência, mas há limitações importantes relacionadas à precisão da intensidade e localização exata.

“Sim, é possível saber com antecedência a passagem desses eventos de chuva por meio de imagens de satélite, radares e modelos de previsão do tempo”, afirma Willy Hagi, que faz uma crítica sobre o efetivo de profissionais de meteorologia nas instituições. “A Defesa Civil, tanto de Manaus quanto do Amazonas, possui profissionais meteorologistas capacitados, mas esse efetivo certamente precisa aumentar e muito”.

Juliane Querino diz que há detalhes a complexidade técnica envolvidas na previsão de eventos extremos na região amazônica. “Com a utilização de tecnologias como os radares meteorológicos, imagens de satélite, modelos de previsão, é possível saber com antecedência sobre as chuvas e suas intensidades, porém a precisão da informação irá depender da tecnologia utilizada”, diz.

“As imagens que são produzidas pelos radares meteorológicos são informações em tempo real, estas são produzidas a partir das análises de informações de velocidade, direção e padrão de chuva. Porém, prever a chance de temporais ou chuvas prolongadas, a previsão exata do local e da intensidade ainda é um grande desafio, principalmente em regiões como Manaus onde as chuvas são muitas vezes convectivas, ou seja, se formam rapidamente devido ao calor e podem cair em um bairro e não no outro”, acrescenta.

Estação meteorológica em Manaus. Prefeitura instala pontos de monitoramento do clima para prevenir desastres (Foto: Semcom/PMAM)
Estação meteorológica em Manaus monitora o clima para prevenir desastres (Foto: Semcom/PMAM)

Djnair Sales contextualiza especificamente o que ocorreu no caso do dia 14, explicando por que a intensidade superou as previsões iniciais. “Sim, já havia uma previsão de chuva para Manaus na terça-feira por exemplo, porém neste dia o sistema de chuva prevista para Manaus, que já vinha se deslocando em direção a cidade, se intensificou devido as altas temperaturas e altos níveis de umidade presentes na cidade”.

A Semseg (Secretaria Municipal de Segurança Pública e Defesa Social), pasta responsável pela Defesa Civil Municipal, informou que a previsão meteorológica indica a probabilidade e tendência de chuva, mas a intensidade exata e o local de maior impacto só podem ser confirmados à medida que o sistema se forma sobre a cidade.

De acordo com a prefeitura de Manaus, o alerta foi emitido por meio do sistema nacional “Defesa Civil Alerta”, não sendo realizado diretamente pela Defesa Civil Municipal, mas dentro do protocolo de integração do sistema, que permite a atuação conjunta entre os diferentes níveis de gestão de risco e resposta a desastres, e que faz parte do sistema integrado de alertas operado de forma conjunta entre as Defesas Civis federal, estadual e municipal.

“No caso da última terça-feira (14/10), a Defesa Civil Nacional iniciou o envio dos alertas de SMS às 14h, antes do pico da chuva que começou de forma mais intensa a partir desse horário. Houve uma chuva leve, passageira, por volta das 12h, mas o evento principal ocorreu mais tarde, exatamente no período em que o alerta foi emitido. Ou seja, o aviso não foi posterior ao início da chuva, como vem sendo interpretado. Ele foi emitido com base em dados em tempo real de estações meteorológicas e do radar do Sistema de Proteção da Amazônia, que confirmaram o aumento da instabilidade sobre a capital”, informou a secretaria.

A Defesa Civil do Amazonas informou que o alerta severo foi emitido para a cidade de Manaus em razão do grande volume de chuva acumulado. A medida teve caráter preventivo e buscou reforçar a atenção da população, especialmente das famílias que vivem em áreas de risco, como encostas e margens de igarapés.

“Antes do alerta severo, foram enviados dois avisos de chuvas intensas, às 14h e 14h30, para os moradores cadastrados no sistema de alertas do Idap (Interface de Divulgação de Alertas Públicos). O alerta severo foi emitido às 15h15, após os técnicos do Cemoa (Centro de Monitoramento e Alerta) identificarem um alto índice de chuva acumulada sobre a capital. Em seguida, houve novos avisos às 15h25 e 15h50, sobre risco de alagamentos e deslizamentos de terra”.

Ainda segundo a Defesa Civil de Manaus, a região amazônica tem um regime climático altamente dinâmico, em que as chuvas se formam com muita rapidez devido à combinação de calor e umidade. Por isso, a previsão de intensidade com muitas horas de antecedência nem sempre é possível com precisão.

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Com vento forte, cadeira é levada para o meio da rua durante chuva intensa (Foto: Reprodução/Facebook)

“No episódio mais recente, o alerta de SMS foi o primeiro a ser disparado, e o alerta sonoro foi acionado depois, dentro dos critérios técnicos e legais que determinam seu uso. Os alertas são emitidos apenas quando há risco potencial ou confirmado à vida e ao patrimônio, com base em análises de precipitação acumulada, velocidade dos ventos e movimentação de solo. O sistema de alerta sonoro de emergência está atualmente em fase de testes e será integrado a esse conjunto de tecnologias, o que vai melhorar o tempo de resposta e a precisão das notificações.”

De acordo com a nota, a Defesa Civil trabalha com dois tipos de alerta distintos: o alerta via SMS (40199), que requer cadastro prévio da população e é utilizado de forma preventiva, sempre que há risco potencial; e o alerta sonoro, que é um sistema novo em fase de implantação, que não depende de cadastro e é reservado exclusivamente para situações extremas, como risco iminente de deslizamento ou inundação, quando há necessidade de evacuação imediata.

Mudanças climáticas e eventos extremos

Sobre a relação entre as chuvas torrenciais recentes e as mudanças climáticas globais, as opiniões dos especialistas variam quanto ao evento específico do dia 14, mas convergem de forma clara sobre a tendência geral de aumento de eventos extremos na região amazônica.

Francisco Assis Diniz é categórico ao estabelecer a conexão entre aquecimento global e intensificação de eventos climáticos extremos. “Como falei tem aumentado a intensidade das chuvas, dar-se o fato, devido o aquecimento que o planeta vem passando, favorece mais as chuvas intensas, temporais, chuvas fortes, vendais, furações mais fortes, onda de calor e também, ondas de frio”.

Andrea Ramos explica o mecanismo físico por trás dessa intensificação provocada pelas mudanças climáticas. “O aquecimento global intensifica o ciclo hidrológico. Uma atmosfera mais quente retém mais umidade, o que leva a uma maior liberação de energia e vapor d’água, resultando em eventos de precipitação mais concentrados e violentos”.

Ela também aponta que fatores locais contribuem para o cenário. “O desmatamento também pode ter um impacto, alterando a evapotranspiração da floresta e afetando a circulação de umidade que chega à região, o que contribui para a irregularidade e a intensidade dos extremos”.

Djnair Sales destaca as mudanças nos padrões oceânicos que têm afetado diretamente a Amazônia. “Sim, nos últimos observa-se que padrões como El Niño têm se tornado mais intensos enquanto a fase oposta, La Niña, tem se mostrado mais frequentes apesar de menos intensas. Não somente isso, mas os padrões no Atlântico também apresentado variações que fogem dos padrões conhecidos e isso tem afetado tanto o volume quanto a intensidade dos eventos de chuva além do nível dos rios na bacia Amazônica”.

Willy Hagi, no entanto, faz uma ressalva sobre o caso específico do dia 14, colocando-o em perspectiva histórica. “Sobre esse caso específico do dia 14, eu diria que não. Mesmo com a intensidade, não chegou nem ao menos a ser o dia mais chuvoso em Manaus neste ano e ainda cai perfeitamente dentro da variabilidade climática regular da nossa região”. Mas o meteorologista não minimiza os impactos das mudanças climáticas na região. “Mas isso não quer dizer que não estamos sentindo os efeitos das mudanças climáticas globais na Amazônia nos últimos anos. Passamos da maior cheia da história em 2021 para a maior seca entre 2023-2024 em uma velocidade assustadora e isso não é normal”.

Urbanização agrava impactos

Além das questões climáticas globais e regionais, os especialistas apontam que problemas de infraestrutura urbana e o crescimento desordenado da cidade têm agravado significativamente os impactos das chuvas intensas sobre a população.

Juliane Querino ressalta o papel da urbanização na intensificação dos eventos de chuva. “E fatores como mudanças climáticas globais, expansão desordenada das cidades e aquecimento da atmosfera e superfície terrestre podem explicar esse aumento. A própria expansão urbana de Manaus também contribui para esse cenário, pois o aumento de superfícies impermeáveis e a formação de ilhas de calor intensificam os contrastes térmicos e ajudam a potencializar as precipitações”.

Willy Hagi é direto e contundente na crítica à gestão urbana e infraestrutura da cidade. “O que parece mesmo é que a cidade vem perdendo cada vez mais a capacidade de aguentar a passagem desses eventos de chuva sem muitos prejuízos, seja em termos de material ou até mesmo de vida. É uma questão da nossa infraestrutura e planejamento da própria cidade”.

A Defesa Civil do Amazonas reforça esse ponto crítico sobre os problemas estruturais que agravam os efeitos das chuvas. “Vale ressaltar que um dos principais problemas enfrentados durante fortes chuvas em Manaus é a falta de infraestrutura urbana, como bueiros entupidos e o acúmulo de lixo em igarapés, que impedem a vazão da água da chuva e contribuem para o alagamento de vias”.




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